Antibióticos


Antibióticos são substâncias químicas, naturais ou sintéticas, que têm a capacidade de impedir a multiplicação de bactérias ou de as destruir, sem ter efeitos tóxicos para o homem ou animal.
São medicamentos que ou matam ou previnem a multiplicação de bactérias. Estes medicamentos são usados para tratar infecções bacterianas em praticamente todas as regiões do corpo.
As principais fontes de antibióticos usados hoje em clínica são produtos naturais: fungos (Penicillium produtor de Penicilina) ou bactérias. No entanto, há já alguns anos, existem antibióticos totalmente sintéticos (como as sulfamidas).
As Penicilinas e as Sulfonamidas foram os primeiros Antibióticos a serem comercializados durante a 2ª Guerra Mundial, desde então centenas de novos antibióticos foram descobertos.
Antimicrobiano é um termo genérico que pretende englobar todas as substâncias químicas com actividade sobre os diferentes microrganismos: antibióticos ou antibacterianos (quando actuam em bactérias); antivirais - quando actuam em vírus; antifúngicos (quando actuam em fungos) e antiparasitários (quando actuam em parasitas).
Os antibióticos poderão ter uma actividade “bactericida” se matam as bactérias ou uma actividade “bacteriostática” se apenas inibem a multiplicação e o crescimento bacteriano. Neste último caso, o hospedeiro infectado tem tempo para activar a sua resposta imunitária e eliminar o agente infeccioso, enquanto que em casos de doentes com sistemas imunitários debilitados e incapazes de destruir o agente bacteriano são preferencialmente utilizados os antibióticos com acção bactericida.
Em qualquer dos casos, os antibióticos actuam atacando a parede bacteriana, a membrana celular ou outros constituintes bacterianos necessários para a vida e reprodução bacteriana.
Os antibióticos são usados como promotores de crescimento em animais que fazem parte da cadeia alimentar e como pesticidas para controlar infecções bacterianas em campos de cultivo, nomeadamente de cereais.
Há centenas de antibióticos e são classificados de acordo com a sua estrutura química de base. Os constituintes de cada grupo de antibióticos surgem da adição ou substituição de radicais à estrutura base, com o objectivo de aperfeiçoar as suas propriedades antibacterianas e farmacológicas. Os principais grupos de antibióticos são:
v  penicilinas, inibidores de beta-lactamase, cefalosporinas;
v  monobactâmicos; 
v  carbapenemes;
v  glicopeptídeos;
v  macrólidos e lincosaminas;
v  tetraciclinas;
v  quinolonas e fluoroquinolonas;
v  aminoglicosídeos;
v  outros antibacterianos (exemplo: sulfonamidas, cloranfenicol, rifamicinas, linezolide, metronidazol, fosfomicina).
Os efeitos benéficos da terapia com antibióticos podem variar de ligeiros a essenciais para a manutenção da vida do animal. É possível para as infecções bacterianas não controladas espalharem-se invadindo os tecidos vizinhos ou disseminarem-se para outras partes do corpo através da corrente sanguínea.

O uso consciente de antibióticos pode ajudar a controlar infecções que de outra maneira se poderiam tornar potencialmente letais.
Os antibióticos não podem combater infecções provocadas por vírus ou fungos, podendo no entanto ser usados como coadjuvantes no tratamento destas, prevenindo ou combatendo infecções bacterianas secundárias.
Durante o ano de 2011 foram comercializadas 162,564 toneladas de substâncias activas para uso em Medicina Veterinária; a doxiciclina e a amoxicilina foram as substâncias activas mais vendidas representando cerca de 50% das vendas.
No que se refere às classes de antimicrobianos, aproximadamente 75% do total de volume disponibilizado são relativo a 4 classes de antimicrobianos (tetraciclinas, macrólidos, penicilinas e pleuromutilinas).
As tetracilcinas representam cerca de 27% do total das vendas, os macrólidos 20%, as penicilinas 15% e as pleuromutilinas 15%. A importância quantitativa do uso destas moléculas deve ser relativizada pela dosagem real em que se encontram no medicamento.
Relativamente às espécies animais em que estes antimicrobianos são mais utilizados destacam-se as aves e os suínos. Esta tendência pode estar relacionada com o tipo de exploração associada à produção destes animais (produção intensiva) bem como com o efectivo nacional destes animais.
As pré-misturas medicamentosas, com 115,624T toneladas, foram a forma de apresentação mais vendida no ano de 2011, seguindo-se as soluções orais e pós para soluções orais com 28,116T e 9,918T, respectivamente, e os injectáveis com 8,195T vendidas; as pré-misturas medicamentosas foram as mais utilizadas em suínos (47,826T) e as soluções orais foram as mais utilizadas em aves (10,958T).
Como qualquer outra medicação os antibióticos podem raras vezes provocar reacções adversas. Uma das reacções mais frequentes é um ligeiro mal-estar do tracto gastrointestinal podendo levar a diarreias ou vómitos que rapidamente desaparecem após a remoção do antibiótico.
Se desconfia que o seu animal faz uma reacção inesperada ao tratamento, por favor informe o seu Médico Veterinário de forma a reavaliar a situação terapêutica do seu animal.



Resistências a Antibióticos
As Resistências são dos principais problemas associados ao uso generalizado de antibióticos, muitas bactérias desenvolveram resistências a alguns antibióticos tornando-se insensíveis à sua acção, continuando a multiplicar-se e aumentando a infecção mesmo quando se procede ao tratamento. 
A resistência aos antibióticos é hoje uma realidade em todo o mundo e constitui um problema sério no tratamento das doenças infecciosas.
Alguns cientistas profetizam que a resistência aos antibióticos está a aumentar muito mais rapidamente  do que é possível controlar e que o futuro será o de um cenário semelhante ao da “era pré-antibiótica”. Outros cientistas, mais optimistas, acreditam que a investigação e a utilização cuidadosa dos antibióticos pode reverter esta tendência, desde que sejam feitos esforços a nível mundial para reconhecer e controlar este problema.
A política de antibióticos é variável de país para país. Por exemplo, nalguns países, os antibióticos podem ser vendidos sem receita médica, enquanto noutros não é permitido (embora, por vezes, não seja cumprido). 
Devido às possíveis resistências é aconselhável que todo o tratamento com antibióticos deve ser levado até ao final, mesmo que o animal apresente melhoras mais cedo que o previsto, ou que aparente estar totalmente recuperado!
Se o tratamento é suspenso prematuramente existe o risco de bactérias parcialmente resistentes se multiplicarem e darem origem a uma nova geração de bactérias sucessivamente mais resistentes e difíceis de controlar.
A escolha do antibiótico indicado para o seu animal é uma importante decisão feita pelo seu Médico Veterinário, a razão pela qual existem tantos antibióticos é que cada um tem um perfil actuando melhor que outro para diferentes partes do corpo ou diferentes tipos de bactérias.
Idealmente a escolha de um determinado antibiótico deveria ser baseada em análise laboratorial do tipo de bactérias presentes (cultura) e testagem de quais os antibióticos mais eficazes contra elas (antibiograma).
Se o tratamento do seu animal não está a produzir os efeitos desejáveis, poderão ser necessários mais exames para averiguar a necessidade de alterar a medicação ou identificar outras possíveis causas para o problema do seu animal.
Em pecuária são utilizados antibióticos (em baixas quantidades) como promotores de crescimento. Quando estes produtos entram na cadeia alimentar podem representar uma fracção importante do total de antibióticos consumido pela população. Os antibióticos que podem ser usados na pecuária estão regulamentados, com o objectivo de preservar os antibióticos que são mais eficazes para o tratamento de doenças no homem.


Bibliografia
Animais, H. d. (2012). Antibióticos. Obtido de Hospital dos Animais: http://www.hospitaldosanimais.com/tabid/329/Default.aspx
Infecciosas, D. d. (2010). Antibióticos e Resistência aos Antibióticos. Obtido de instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge: http://www.insa.pt/sites/INSA/Portugues/Paginas/AntibioticosResi.aspx#penicili
Veterinária, D. G. (2011). Relatório Nacional de Monitorização do Consumo de Antimicrobianos. Portugal: Ministério da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território.

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