Galinha



Doenças das Aves de Capoeira
As aves de capoeira são frequentemente afectadas por doenças contagiosas, que conduzem a elevada mortalidade e a diminuição na produção de ovos.


Doença respiratória crónica (CRD): também conhecido por “Gôgo”, é provocada por uma bactéria (Mycoplasma gallisepticum). Os animais sujeitos a stress provocado por mudanças de local, corte de bicos, frio, ventilação deficiente e outras condições desfavoráveis, tornam-se mais susceptíveis a esta doença. A CRD transmite-se das poedeiras é descendência, através dos ovos. Pode também transmitir-se por contacto directo ou através de pó e pequenas gotas em suspensão no ar. Afecta frequentemente galinhas e perus. Os sinais mais comuns são os espirros, tosse, congestão das vias respiratórias, anorexia e quebra de produção. A vacinação das poedeiras e o tratamento dos animais com antibióticos, permite controlar a doença (Bronco-Star, Baytril 10% solução oral, Pulmotil AC, Tribrissen 48%, Tylan).

Parasitoses: provocadas por vários tipos de parasitas intestinais: ascarídeos, capilária, parasitas fecais e ténias. Causam enterite, anemia, diminuição da produção de ovos e ovos de gema pálida. O tratamento destas doenças é feito com o recurso a anti-helmínticos (Caliermisol).

Histomoníase (Cabeça Negra): provocada por um protozoário (Histomonas meleagridis). Transmite-se através da água, alimentos ou fezes infectadas. Afecta frequentemente galinhas, perus e pavões. As aves mostram-se deprimidas, permanecem de pé ou sentadas, com as pernas eriçadas e uma diarreia amarelada. A região da cabeça dica escurecida. Tem uma mortalidade muito elevada nos perus. Não existe, actualmente, nenhum medicamento autorizado para o tratamento da histomoníase. O uso de um soalho de cimento, ao invés do solo térreo diminui a incidência desta doença. Não existindo no mercado medicamentos autorizados para esta doença, uma boa higiene das instalações contribui para a sua prevenção.

Coccidiose: provocada por protozoários do género Eimeria. Transmite-se através das fezes infectadas. As coccídias das galinhas são específicas e não infectam outras aves. Os sinais mais comuns são a apatia, anorexia, fezes sanguinolentas, crista pálida, perda de peso, diminuição da produção de ovos. Algumas espécies do coccídias provocam mortalidade elevada. Utilizam-se os chamados coccidiostáticos para a profilaxia e os coccidiocidas para o tratamento (Baycox, Agribon).

Cólera aviária (Pasteurelose): provocada por uma bactéria (Pasteurella multocida). Transmite-se de ave a ave através dos alimentos ou de água contaminados. Afecta galinhas, perus, espécies de caça e outras aves. Causa depressão e anorexia, diminuição da produção de ovos e elevada moralidade, as que morrem apresentam normalmente a crista e os barbilhões azulados. Na forma crónica, as aves apresentam os barbilhões tumefactos. A profilaxia é feita através da vacinação, e o tratamento com o recurso a antibióticos (Flumisol, Paracilina, Pulmotil AC, Tribrissen 48%, Cevamoxin pó 50%). O controlo dos roedores também é de elevada importância, pois estes desempenham um papel relevante na contaminação da água e dos alimentos.



1. Coccidiose das galinhas
A Coccidiose é uma das doenças mais frequentes nas galinhas, sendo bastante comum mesmo nas pequenas explorações.

1.1 Causas
Provocada por protozoários unicelulares – coccídias – que parasitam o tracto gastrintestinal. Nas galinhas pode ser provocada por 9 espécies, a maior parte do género Eimeria.

1.2 Transmissão
A transmissão faz-se por via fecal-oral, sendo as fezes das galinhas infectadas com oocistos a principal fonte de contágio. O período de incubação é de 4 a 6 dias. A maior parte dos coccídias é específica, sendo raras as infecções cruzadas.

1.3 Sinais

Coccidiose Cecal: afecta sobretudo animais jovens, até ás 12 semanas de idade, provocando apatia, fezes sanguinolentas, anorexia e palidez da crista. A mortalidade é de cerca de 50%.
Coccidiose de intestino delgado: afecta aves de todas as idades. Os sinais mais comuns são prostração, anemia, penas eriçadas, despigmentação da pele, desidratação, perda de peso corporal, retracção da crista, diminuição da produção de ovos, emaciação e diarreia, que varia de mucóide a sanguinolenta. A patogenicidade e a mortalidade variam de acordo com a espécie envolvida. Na sua forma crónica é ainda responsável pela diminuição da absorção de nutrientes.

1.4 Diagnóstico
É feito por exame clínico Médico Veterinário, recorrendo-se a análises coprológicas e necrópsia.

1.5 Tratamento
O tratamento das coccidioses é feito com o recurso a medicamentos coccidiostáticos. 

1.6 Profilaxia
Boas práticas de maneio: limpeza e desinfecção frequentes das instalações, camas limpas e secas. Os oocistos das coccídias permanecem viáveis durante mais de um ano no ambiente, em condições ideais de humidade e temperatura. A higienização frequente promove a diminuição da carga parasitária ambiental, dificultando a contaminação as aves. A utilização de coccidiostáticos em doses profilácticas é fundamental para evitar o aparecimento da doença. A vacinação pode constituir uma alternativa, embora menos utilizada pelo custo que representa.


1.7 Medicamentos e produtos mais utilizados
·         Agentes coccidiostáticos: Baycox 2,5%; Zoococcidiol Pó; Agribon; Vecoxan.
·         Desinfectantes: Bradofen; Despadac; Halamid; Iosan.
·         Vacinas: Paracox 5; Paracox 8.

1.8 Curiosidades – A “Doença da Faca”
A “Doença da Faca” é muitas vezes referida por proprietários de pequenos núcleos de galinhas ou frangos como causa de morte das aves.
Correntemente, este termo é utilizado para designar um estado de doença, no qual, devido á emaciação das aves, a quilha se torna mais proeminente. Não se trata de uma doença propriamente dita, mas sim de uma situação resultante de qualquer estado patológico que provoque perda de gordura e massa muscular.
Assim, na presença de uma situação de “Doença da faca”, dever-se-á recomendar a consulta Médico Veterinária, para que se estabeleça o diagnóstico da doença subjacente.



2. Diarreia das galinhas
As diarreias das aves, em particular das galinhas, são afecções que levam os utentes a procurar conselhos na farmácia.

2.1 Causas
o   Infecções parasitárias: o parasitismo por protozoários (Coccidias), bem como por nematodes e cestodes é muito frequente.
o   Infecções bacterianas e virais: infecções por Salmonella sp., Clostridium sp., Escherichia coli, são as mais frequentes. Algumas estirpes de Adenovírus são responsáveis por enterites virais.
o   Distúrbios alimentares: alimentação incorrecta, com restos de alimentos destinados a consumo humano.
o   Doenças sistémicas: podem provocar enterites secundárias.

2.2 Sinais
v  Coccidiose: fezes sanguinolentas, ás vezes mucosas. Causa elevada mortalidade.
v  Salmonelose: fazes amarelo-esverdeadas com cheiro fétido, cianose da crista e dos barbilhões, perda de peso.
v  Colibacilose: diarreia mais frequente nos pintos.
v  Enterite viral: diarreia hemorrágica.
v  Nematodes e Céstodes: apatia, anorexia e diarreia sero-hemorrágica.

2.3 Diagnóstico
O diagnóstico é realizado pelo Médico Veterinário, com o recurso ao exame clínico, exames complementares de diagnóstico e exame post-mortem.

2.4 Medicamentos e produtos mais utilizados

Ñ       Coccidiostáticos*: Agribon pó, Baycox 2,5% solução oral, Zoococcidiol.
Ñ       Anti-helmínticos*: Caliermisol, Vetramisol, Zoovermil, Solubenol.
Ñ       Antibióticos*: Baytril 10% solução oral, Cevamoxin pó 50%, Flumisol 36%.
Ñ       Vacinas: Gallivac SE, Nobilis Salenvac T, Paracox 5, Paracox 8.
Ñ       Suplementos nutricionais: Anima-Strath, Promotor L, Zoovita.
* A administração destes fármacos prevê o cumprimento do respectivo intervalo de segurança.

2.5 Profilaxia
Higienização frequente e exaustiva das instalações dos animais, assim como boas condições de maneio, alojamento e alimentação.
Vacinação.

Bibliografia
www.globalvet.com, 2008

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